O Deus Fada-Madrinha...
Oh! Eternamente Sorridente... Você é o mais gentil, o mais radiante... Você é o melhor deus que alguém pode ter...Sim, use os seus ídolos. É hora de expor-se à gloriosa luz de uma Fada-madrinha. O tipo de deus favorito de todo mundo. E por que não? Ele é uma divindade feliz, protegendo você como um guarda-chuva em um dia chuvoso...
Você tem problemas? Por que preocupar-se? Por que levar a vida a sério? A Fada-madrinha cuidará de tudo para você – simplesmente relaxe, e vá tomar um pouco de sol. Mas, cuidado! Ficar muito tempo exposto aos raios solares pode ser perigoso.
A Fada-madrinha é um deus de ilusões. Um deus desprovido de matéria. Essa concepção de Deus aparece disfarçada como uma fé simples, quase invejável, como a de uma criança. Ela pode até mesmo parecer, em sua pureza, um modelo digno de ser seguido. Mas sua semelhança, e tudo mais é superficial. Esse deus é todo amor – mas não o amor verdadeiro. Ele alimenta, mas não educa. Ele afaga, mas não censura.
Deus tem sido homogeneizado em todas as dimensões, pasteurizado de todas as impurezas, até que ele se torne gentil e conveniente para o paladar da maioria.
Esse amor “divino” tão simplista, tão confortável, não é real. Não tem nenhuma relação com todas as complicações pelas quais passamos na vida...
De fato, o deus Fada-madrinha brilha tanto que nos deixa cegos. Como um Deus tão bom poderia ser responsável por um mundo cheio de tanto sofrimento e crueldade? É difícil acreditar, muitos devotos de Fada-madrinha negam a existência de todas as formas de mal, quando o que deveriam negar é esse conceito de Deus. Outros explicam o mal acreditando em demônios, diabos, em Senhor das Trevas ou em algum outro personagem de livros cósmico-cômicos do bem contra o mal e, de repente, nosso Deus Todo-Poderoso tem um rival. Quem é o verdadeiro Deus, afinal?
Todavia, essa é apenas uma caixa de Pandora de teológicos programas beneficentes. Tudo para proteger um deus que é bom demais. Um deus que desafia nosso senso de razão dado por Deus, porque ele criou só luz e nenhuma sombra. Alguma coisa está errada...
Esse conceito de Deus não é apenas intelectualmente insatisfatório. É também emocionalmente incapacitado. Pois, o Deus Fada-madrinha é um deus de pessoas frágeis, de pessoas desesperadas que precisam fugir das imperfeições da vida e do lado mais obscuro de si mesmas.
Esse deus que criamos para nós mesmos também é um deus frágil. Ele é dizimado pelas guerras. Abandonado depois da morte sem sentido de uma criança. Sua benevolência quase sempre parece uma mentira. Sim, esse é o deus que amaldiçoamos.
Mas todas as nossas frustrações também são sinais de esperança, se escolhermos enxerga-las como tais. Elas nos obrigam a encarar a estupidez de nosso sistema de crença, encorajando-nos a criar um conceito de Deus que funcione no mundo real e uma fé que seja tão abrangente que brilhe até mesmo à luz da razão humana.
Nossa desilusão com esse Deus só é natural quando criamos primeiramente uma ilusão. Nós nos armamos para a nossa última decepção.
Não haveria uma forma mais estável de pensar em Deus? Um deus que não seja a projeção de Poliana dentro de nós? Um deus que ama, mas não é impotente? Por que nós o deixamos amadurecer de qualquer maneira na adolescência?
Uma coisa é certa, tudo bem e nada mal não é apenas uma ideia errada de ver Deus. É uma droga, e das perigosas!
Acredite demais em Fada-madrinha e estará fadado a se dar mal, muito mal!
Que o nosso Verdadeiro Deus Abençoe a Todos!
Autor:Hilo Moraes Augusto Filho
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